
Por:Evandro Silverio Beraldo
As interferências na linha telefônica, tais como, ruídos, transmissão de rádio, zumbido, semelhante a um motor trabalhando, chiados, linha cruzada, etc, origem de muitos problemas com modems, com certa freqüência, estão associados a uma instalação interna problemática, tendo como agentes infiltrações, tomadas de má qualidade, cabos impróprios, quebradiços ou oxidados, parafusos soltos, provocando mau contato nos conectores e terminais, entre outros.
A origem de algumas interferências pode estar relacionada também com causas externas e com a qualidade da linha da operadora.
Acesso que congela poucos minutos após a conexão ter sido estabelecida, baixa velocidade de transferência ou cai-cai freqüentes, podem ter a sua origem em interferências provocadas por uma instalação deficiente.
Ao nos depararmos com algum inusitado problema de conexão, uma inspeção visual criteriosa na instalação, acompanhada de testes simples, podem nos poupar algumas horas de trabalho inútil e nos livrar de um diagnóstico incorreto.
O usuário, de maneira geral, costuma dar pouca importância à instalação da rede telefônica, preferindo, quase sempre, ele mesmo executar tal instalação ao invés de requisitar os serviços de um instalador profissional. Não raro também, o cliente acaba sendo vítima de instaladores sem qualquer preparo, construindo redes que resultarão em potenciais focos de problemas para o uso da Internet.
As redes internas, para fazer a ligação dos terminais telefônicos, precisam satisfazer a algumas exigências que são mormatizadas pela ABNT e homologadas pela ANATEL.
Normalmente, cada operadora disponibiliza um manual com informações detalhadas para orientar os projetistas e instaladores, fornecendo um roteiro seguro para uma boa instalação, reduzindo os potencias problemas para quem utiliza uma conexão com a Internet.
Abaixo passaremos a listar alguns problemas potenciais em redes internas de telefonia, bem como, certas interferências motivadas por agentes externos.
- Tomada de parede padrão Telebrás e adaptador de plugue americano padrão RJ 11 de má qualidade ou frouxo, ocasionando mau contato, com a conseqüente atenuação do sinal telefônico. Não raro também, por mera distração, o cabo RJ 11 do modem está conectado no lugar da extensão telefônica (PHONE), ao invés de estar conectado na entrada de linha (LINE, TELCO ou WALL).Como certos modems costumam bloquear a saída PHONE, enquanto discam, o modem responde com a mensagem “Não há sinal de linha”, deixando o usuário atônito.
- As emendas nos cabos telefônicos devem merecer atenção especial. Quando nos depararmos com emendas, devemos fazer uma vistoria criteriosa nelas. Emendas mau feitas provocam atenuação do sinal telefônico, pois, na verdade, naquele ponto do circuito, passam a funcionar como uma resistência. Emendas diretas podem ser substituídas por terminadores para telefonia;
- A umidade, principalmente em emendas, e a deterioração da rede interna com o passar dos anos, pela oxidação dos cabos e terminai,s constitui outro potencial foco de problemas para quem usa Internet.
- Quando os cabos telefônicos são instalados no mesmo conduíte por onde circulam os cabos elétricos, o sinal da linha telefônica é submetido à indução magnética. A indução provoca o “ruído”. Dependendo da intensidade do campo indutivo, o modem poderá enfrentar problemas para estabelecer uma conexão. Outra fonte de ruídos, com conseqüências perversas para o modem, é quando a ligação telefônica que serve a residência sai de um poste onde existe um transformador da rede de distribuição elétrica. O arco voltaico formado pela elevada tensão acumulada no transformador passa, por indução, para o cabo telefônico, gerando ruído na linha do assinante. Cabos de alta tensão e motores elétricos também desencadeiam as mesmas anomalias.
- Quanto maior for o cabo que vai do modem à tomada telefônica (cabo RJ 11), maior a probabilidade de ruído interferindo com o sinal. É bem conhecido o fenômeno de atenuação elétrica quando a distância a ser cumprida é grande. O ideal é que a rede telefônica sirva primeiro o ponto do modem e, a partir daí, distribuam-se as extensões para servir à residência.
- Com a chegada da tecnologia V.90, os sinais transitam diretamente da tomada telefônica para o ISP. Uma linha isenta de ruídos é fundamental. Uma avaliação do nível de ruídos na linha pode ser executada ao se elevar o volume do modem. Se a negociação entre os dois modems resultar muito demorada, é possível que o nível de ruídos da linha seja elevado. Uma inspeção cuidadosa nos cabos, tomadas e conectores, podem ajudar a minorar o problema.
- Um outro fenômeno freqüente é o de “linha aterrada”. Ocorre quando um condutor exposto se encosta, por exemplo, na ferragem da caixa de passagem, num prego, num parafuso, num grampo, num elemento qualquer que conduza ao potencial de terra. Esse defeito provoca sintomas que interferem no desempenho ou dificultam a conexão com a Internet. A excessiva umidade pode desencadear o aterramento de um condutor telefônico dentro de uma tubulação ou caixa de passagem. Entre os sintomas mais comuns produzidos pelo fenômeno de “linha aterrada”, temos:
- Transmissão baixa, com um forte zumbido;
- O tom de discagem não é interrompido quando a discagem é iniciada;
- Curto. Ocorre quando dois condutores expostos, de uma linha ou ramal telefônico encostam um no outro. Este defeito provoca sinal de ocupado na linha, que não pode ser cortado e, em seguida, deixa o telefone mudo.
- Descontinuidade em um condutor. Quando, por qualquer motivo, um condutor se rompe, não há qualquer sinal de linha.
Corrigindo problemas
- A primeira providência a tomar, depois de se ter checado todo o hardware e o sistema é a verificação completa da instalação interna e a procura de fontes de interferência e amplificação de ruídos nas adjacências. A verificação não deve se limitar apenas ao ramal do modem, mas a todos os demais ramais da residência. Como os ramais estão interligados uns aos outros, a interferência verificada em um deles pode se manifestar nos demais;
- Em certas ocasiões, o usuário realiza testes exaustivos, chegando inclusive a testar o equipamento em outra residência, obtendo excelentes resultados. Ao chegar na sua casa, tudo dá errado. Sente vontade de triturar o modem a marteladas. Ele Ignora, por exemplo, que a causa muito bem pode estar sobre a sua cabeça, representada por um reator com mau funcionamento, na luminária do ambiente. Técnicos com formação deficiente podem sentir-se inclinados a sugerir a troca do modem (que não solucionará o problema), ou a condenar a linha.
Já nos deparamos com o problema de um modem que durante o dia trabalhava maravilhosamente mas, durante a noite, não se conectava de forma alguma. Chamou-nos imediatamente a atenção, uma antena de rádio amador na residência contígua. O vizinho, ao retornar do trabalho à noite, ligava o seu transmissor e estendia-se até a madrugada modulando com os colegas.
O receptor estava praticamente lado a lado com o modem, tendo a separá-los uma distância de pouco mais de dois metros, por um pequeno muro. Verificamos que tanto a antena como o transmissor, estavam incorretamente instalados, funcionando como uma espécie de amplificador de ruídos na linha telefônica. Foi executado um aterramento rigoroso na antena e no transmissor, adicionando-se também um pequeno filtro de RF no circuito telefônico que atendia o modem, resolvendo satisfatoriamente o problema.
Principais verificações:
a) Investigue a presença de umidade e sinais de oxidação nos cabos, plugues e conectores. Qualquer plugue ou conector que apresente sinais de oxidação devem ser trocados;
b) Identifique emendas problemáticas e as refaça. Isole condutores expostos e dê um aperto geral em parafusos e conectores;
c) Examine cuidadosamente as tomadas, adaptadores e o cabo RJ 11. Tomadas quebradas, com problemas de encaixe e frouxas, cabo RJ 11 muito longo ou com a presilha de fixação quebrada, devem ser descartados. Prefira sempre materiais de boa qualidade;
d) Evite “gambiarras”, aparelho de bina, telefone sem fio ou secretária eletrônica, ligados no mesmo ponto do modem;
e) Examine o cabeamento. Verifique se está em conformidade com o especificado nas normas para projeto de instalações telefônicas internas da operadora. Caso observe incompatibilidades, não exite em sugerir a troca do cabeamento;
f) Alguns equipamentos elétricos próximos ao modem ou a pontos telefônicos podem se constituir em focos de interferência, degradando o sinal telefônico ou funcionando como uma fonte amplificadora de ruídos, comprometendo o desempenho e a estabilidade da conexão. Entre eles, citamos:
- Luminária florescente com reator defeituoso;
- Aparelho de televisor;
- Caixas de som;
- Antena parabólica e receptor de satélite;
- Motor elétrico;
- Transformador da rede de distribuição elétrica;
- Transmissores e antenas de rádio, televisão ou de telefonia celular;
- Equipamento Aeronáutico de rádio transmissão;
- Equipamento e antena de rádio amador.
Quando o problema está relacionado com uma interferência externa, é necessária uma investigação pormenorizada para identificar a origem da fonte emissora. Nestes casos, pequenos procedimentos para bloquear a interferência ou a utilização de filtros especiais podem solucionar o problema satisfatoriamente.
O problema pode residir também na instalação externa, entre a casa do assinante e a rede da operadora, ou na própria linha, em decorrência de problemas de Carrier, Multiplexador, ou na própria central a qual a linha está conectada. É possível que ainda em algumas cidades, por este Brasil a fora, algumas centrais ainda sejam do tipo eletromecânica, propagadora de ruídos. Nestes casos, o usuário deve solicitar uma vistoria, por parte da operadora, enfatizando que a linha é usada para Internet.
Este procedimento nem sempre traz uma solução rápida.
Algumas operadoras simplesmente se recusam a realizar testes de transmissão de dados, realizando somente testes de voz.
As comunicações de voz e dados, antes de serem transmitidas, usando um único canal, sofrem uma preparação para que não percam as suas características individuais. Esta junção de voz e dados é executada através de um equipamento chamado Multiplexador. O Multiplexador não é o responsável pela transmissão. Para a transmissão efetivamente, são necessários outros equipamentos, como rádios transmissores ou equipamentos que utilizem condutores metálicos de telefonia ou cabos ópticos. A união desse conjunto constitui o que é denominado de “Carrier”.
Mediante este processo, as companhias telefônicas, usando um único par telefônico, podem atender, simultaneamente, quatro a oito usuários. Em alguns casos chegam a atender até doze usuários.
A utilização, nesses casos, para voz, oferece resultados aceitáveis, enquanto que, para o uso de modems, para conexão com a Internet, o resultado apresenta-se risível.
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